O Teatro Salvador Marques, em Alhandra, que começou a ser desmantelado em Junho passado, tinha a sua demolição agendada para o mês de Agosto. Contudo, Maria da Luz Rosinha, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, na posse de novos dados dobre o edifício, decidiu adiar o processo de demolição.
O edifício, inaugurado em 1905, era até há cinco anos atrás, importante para a Câmara, que pediu ao IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico) uma avaliação patrimonial, deixando, através do requerimento, a possibilidade da sua cedência a uma companhia de teatro após a reconstrução.
A autarquia solicitou na altura que fosse aberto um processo com vista à classificação de âmbito nacional do teatro, que tinha sido comprado pela autarquia à Misericórdia de Alhandra, que o IPPAR declinou, sugerindo a recuperação do teatro e a sua eventual classificação de âmbito municipal. A Câmara candidatou também o edifício ao Plano Operacional da Cultura (POC) no sentido de ali poder instalar o Museu do Neo-Realismo, candidatura que viu rejeitada. A autarquia optou então pela demolição do edifício e pela construção de um centro cultural.
A Comissão de Reabilitação do Teatro Salvador Marques requereu ao IPPAR o parecer formulado pela entidade em 2000 sobre o imóvel, que se tornou num dos fundamentos camarários para a demolição do edifício e construção do centro cultural. Quer também saber quais as contrapartidas para a demolição e questionar a construção do novo edifício por, alegadamente, não respeitar o PDM.
Rui Perdigão, arquitecto e membro da comissão entregou a Maria da Luz Rosinha duas mil assinaturas contra a demolição.
A Câmara admite dialogar com os defensores da preservação do imóvel e promete uma reunião para os próximos dias e um pedido de visita de técnicos do IPPAR ao local.
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